terça-feira, 31 de março de 2015

O parto... ou de rabo para o mundo

Antes de começar quero dizer que este relato pode ser lido por qualquer mulher, grávida ou não, pois não é nada assustador. 

Se me garantissem que todos os partos que eu possa vir a ter serão assim, eu passo a dedicar-me a isto - e se o governo comparticipar devidamente este meu investimento, está claro!


Já tinha tido algumas contracções esporádicas dois dias antes mas não liguei. Já tinha lido que havia as contracções de Braxton Hicks, que são contracções de treinamento, mas que podem acontecer muito tempo antes do dia do parto, pois servem para o corpo se preparar para o parto a sério. Ora, eu estava de 37 semanas. Apesar de já ser possível nascer, ainda tinha 3 semanas à minha frente.

Mas, continuando...

Nesse dia, tudo normal, super tranquilo! De manhã, no banho, tinha estado a fazer festinhas na barriga e a falar com ela, a dizer que quando ela quisesse nascer, tinha muita gente cá fora desejosa de a conhecer - dizem que faz bem falar com a barriga e que os bebés nos ouvem e serve para criar uma ligação, então eu lá ia fazendo isso, incluindo nesse dia!

De manhã fui à aula de Yoga e segui para o cabeleireiro. Tinha pensado em tratar do cabelo e das unhas, pois como a qualquer momento poderia dar-se "a coisa", era melhor estar preparada! (Sim, que eu fui daquelas que continuou a pintar o cabelo e a fazer unhas de gel durante a gravidez. Já me podem crucificar!).

Pintei o cabelo, fiz uma hidratação e de repente comecei com umas dores no fundo das costas, tipo "dor de rins", muito parecidas com algumas dores de TPM - Tensão Pré Menstrual - que me começaram a incomodar e já não me deixavam estar muito bem sentada. Tanto que, já me secaram o cabelo em pé, que eu não conseguia estar recostada.

Eu ia olhando para o relógio e só pensava "Isto não podem ser contracções... estão a ser muito rápidas e juntas!". De facto, as dores vinham de forma irregular mas estavam entre os 5 e os 10 minutos, num espaço de meia hora. As meninas do cabeleireiro já não me queriam deixar ir embora para casa, Vais já para a maternidade!, diziam-me. Não, isto ainda deve estar para demorar, dizia eu perante muitos dos relatos que tinha lido. Nunca pensei que fosse tão rápido!

E lá fui eu, teimosa, para casa, pôr as últimas coisas na mala. Isto eram 14h45. Às 15h30, lá decidi que eram horas de ir para a Maternidade, que as dores já estavam a ficar mais apertadas.

Quando cheguei à Maternidade, às 16h fui observada e já estava claramente em trabalho de Parto. Vai já para a Sala de Partos, disse-me a médica. Já tinha 4cm de dilatação - fiquei muito feliz e senti-me orgulhosa de ter aguentado sozinha até àquele ponto.

No caminho, no elevador rebentou me o saco das águas e já na sala tinha 7cm. Foi num desses toques que perceberam duas coisas: primeiro, só tinha rebentado uma membrana do saco e segundo, o que sentiam não era um cefálico - ou seja, a cabeça, mas sim um pélvico - ou seja o rabo da cachopa!

Aí, tinha que tomar uma decisão: levava ou não a epidural? Tinha de decidir antes de rebentarem a outra membrana. As minhas dúvidas ficaram esclarecidas quando tive nova contracção: SIM!!

As dores, estavam a ser suportáveis, mas como não sabia o que me esperava a partir daí, tinha receio que chegasse à hora da verdade sem forças para ajudar como devia, por isso, optei por levar a epidural.

(De referir que a equipa de enfermeiras que estava comigo eram super queridas, meiguinhas e atenciosas, explicando-me as coisas, acarinhando-me e ajudando-me.)

A partir daí, foi o céu! Sem dores, desconforto ou qualquer tipo de mal-estar. Ainda para mais sentia as pernas, que dizem que com a epidural podemos deixar de sentir. 

Nisto, resolvi perguntar: Se ela está de rabo, vamos fazer cesariana, certo?

Errado! O parto estava a ser muito rápido e ela é pequenina, 2400Kg - 2500Kg no máximo!, disse-me a médica, além de que se formos para uma cesariana, não a vamos poder tirar pela cabeça, vamos ter que a ir buscar lá a baixo e isso é mais complicado. Concordei e entreguei-me àquela equipa excepcional que estava à minha volta e que cuidava de mim.

Às 18h30 preparam me para o parto mesmo. E, de 4 elementos que eu tinha na sala, passaram para 10. Na altura não percebi porquê, mas o meu Parto Pélvico ficou famoso e todos queriam ver.

Às 19h06, já tinha a rapariga cá fora, com 2450Kg (a médica acertou na mouche!).

Só tenho a agradecer a toda a equipa de enfermagem e médica que me acompanhou e ajudou na Maternidade Daniel de Matos! Foram excepcionais e senti-me muito apoiada!