Terça-feira foi o primeiro dia da Creche. 1 de Setembro.
O início de um novo ciclo.
Não estava nervosa. Talvez ansiosa.
Não tive insónias.
Não senti o coração acelerado.
Estava tranquila. Tinha de ser. Não há volta a dar.
Este dia, mais cedo ou mais tarde, ia chegar. Tenho que voltar às minhas rotinas.
Estar 6 meses e meio em casa, a cuidar da minha filha, a vê-la crescer, evoluir, descobrir o mundo, já foi uma bênção. Muitas mães não têm essa oportunidade.
Por isso, fui-me preparando mentalmente para este dia.
Muitos dizem que nos custa mais a eles do que a nós. Não sei...
Ela nunca tinha estado sem ser comigo ou com o pai umas horas. Ficar num sítio diferente com pessoas estranhas, não deve ser fácil mesmo para eles, que pouco entendem!
Já houve um dia que tive de me ausentar por umas 4 horas. Esse dia custou-me, confesso. Foi a primeira vez que a deixei tanto tempo. Ficou com o Pai. Eu estava tranquila até ele me ligar a dizer que ela não bebia o leite e ouvi-la chorar ao fundo. Aí senti o meu coração pequenino. Mal comeu enquanto não estive em casa.
Quando me viu, procurou o consolo no meu colo, mamou e adormeceu.
Fiquei preocupada a pensar neste dia que iria chegar...
Como vai ser na creche?
Será que lhe vão dar atenção?
E ela gosta tanto de colo, como vai ser?
E se chorar, vão ver o que se passa?
Ela só adormece na mama e eu não vou lá estar!
Não gosta da chupeta!
Tantas perguntas, dúvidas, anseios que enchem um coração (e a cabeça também) de uma mãe!
Mas eles são mais crescidos do que nós pensamos e dão-nos grandes lições!
No primeiro dia deixei-a duas horas, das 9h às 11h. Aproveitei para ir às compras para casa. Assim, ocupada, o tempo passa mais rápido. Claro que olhava sempre para o relógio, a ver se não me atrasava.
Quando cheguei estava um pouco chorosa ao colo da educadora. Tinha fome. Não perceberam que tinha deixado o leite na mochila.
Acontece. Não pensei mal. Têm que dar atenção aos bebés, às mães que chegam pela primeira vez. Anotar as informações mais importantes. Acontece.
No segundo dia, já lá almoçou. Comeu bem, adormeceu com a chupeta (!!!) e chorou um pouquinho.
Não fico ansiosa na despedida.
Logo de manhã, digo-lhe que vai para a Escolinha. Que vai brincar com os meninos, aprender muito. Peço-lhe para se portar bem e digo-lhe que logo, logo a mãe a vem buscar.
Hoje, à saída, vi uma mãe a chorar. Tinha ido deixar a filha pela primeira vez. Tinha estado um ano com ela em casa. O marido consolava-a e a educadora dizia que era normal.
Senti-me uma má mãe. Eu não chorei ao deixar a minha filha. Nem quando me perguntavam como ela estava.
Ela tinha de lá estar. É a melhor hipótese que tenho para ela. O ideal seria ficar com ela em casa, até ao ano pelo menos mas, infelizmente o pai não ganha para nos sustentar às duas, o que o Estado apoia não é suficiente para essa situação e não, não ganhei o Euro-milhões nem nenhum daqueles prémios que nos dizem para ligar 500 vezes!
Por isso, não há volta a dar!
É acreditar que ela está bem, que isto é o correcto e o melhor para ela.
É dar-lhe um beijinho e com um sorriso dizer-lhe Até Logo!
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